uma gaivota voava
(...)
como ela somos livres,
somos livres de viver
Existe muito de real neste excerto de uma letra de música oriunda dos tempos da revolução dos cravos. Importa saber que conceito é esse: ser livre. É que para se bater as asas, precisa-se de saber como as bater e em que direcção ir... Todos têm direito á vida, é certo mas, antes de se trazer à vida o ser, precisamos ter a certeza de que será «livre». Qual, então, o propósito de viver, se não temos a certeza de dar liberdade, com a infelicidade de estar preso ao que corrói e, assim, mata?
Fala-se de atentado à ciência da vida, assim como de imoralidade. Falemos antes da corrupção advinda da clandestinidade, do tabu, esses sim causadores de repressões e de doenças mentais, em alguns casos. Porque certamente uma mulher não faz um aborto da mesma forma que compra um quilo de maçãs, ela sabe-o e é ela que o tem de o fazer, por isso é o agente criminoso, não contando com os cúmplices, entenda-se.
Há que ter em conta os devidos apoios, financiamentos, (in)formação e deixemo-nos de falsos moralismos, da mentalidade comezinha e de brandos costumes. É uma questão de foro íntimo, pessoal mas principalmente, uma questão social, que deve contar com a ajuda de todos nós contra a corrupção, a clandestinidade e as consequências graves daí decorrentes, a falsa moral e a repressão social.


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