segunda-feira, fevereiro 22, 2010

Just a matter of Conscience

O título é inglês porque sim. Não tenho justificações a dar sobre algo que escrevo, apenas é em inglês porque me apeteceu dar-lhe uma sonoridade diferente mas algum do conteúdo das palavras que escreverei é muito português. Falo da depressão colectiva deste país à beira-mar plantado. O português acorda mal-humorado e adormece da mesma forma. O português já nem sabe levantar-se, sabe apenas grunhir sobre o porquê de se estar a levantar, sabendo que é mais um dia para contar para a reforma que nem sabe se vai ter com as 12h horas que trabalha todos os dias porque um trabalho para pagar comida, casa e despesas dela provenientes, não chega. O português deambula, não anda. Escarra no chão. Barafusta contra todos e diz que a culpa é do Governo. Claro que o aumento de IRS, a estagnação de salários, o diminuto ou mesmo nulo poder de compra não ajudam mas o português muitas vezes compra um GPS e tem net por fibra óptica mas vai apenas a Cantanhede buscar o vinho mais rasca e saca filmes porno do pior através do mesmo site de sempre. Depois de um dia de trabalho em vez de fazer um pouco de exercício, estagna e come aperitivos e bebe cerveja. Está deprimido, o português e, o pior, é que muitas vezes não sabe do que é e quando isso acontece culpa o Governo porque longínquo fica o pensamento de que é uma questão de consciência de si. Isso é um luxo para o português, mais caro que um BMW topo de gama. É uma realidade que estamos perante tempos difíceis, que existe uma depressão colectiva pois quando não é acerca do nosso quotidiano, é do quotidiano dos outros. Basta vermos os telejornais - que me incomodam imenso, tanto que não vejo os dos 4 canais nacionais - e ficamos repentinamente colados ao sofá, boquiabertos e, para os mais sensíveis, com a lágrima no olho e um certo tremor. Temos, sem dúvida, uma enchente de informação que causa angústia, tristeza, sensibilidade e um desnorteio sem igual. Perguntamos o que fazemos aqui, porque podemos contribuir para um mundo melhor... achamo-nos migalhas do enorme pão de quilo muitas vezes porque é tipicamente português sentir-se pequeno. Só nos sentimos grandes para inglês ver... É uma questão de consciência de nós mesmos, de sabermos o que temos, o que se depara no nosso caminho e não parar... não pensar demasiado e aproveitar o benefício (algum no meio de) da mudança rápida que nos assola todos os dias o quotidiano, retirando daí defesas através das distracções que nos são impelidas. Não é fácil. Muitas vezes vai apetecer fugir e inevitavelmente é isso que se vai fazer, contudo para quê fugir se não se sabe para onde?
O tempo encarrega-se de curar quase tudo mas não apaga e o português tem de ter noção disso em vez de afogar as mágoas tristemente e no dia seguinte ter uma dor de cabeça maior que a amargura. As contas vão estar lá para serem pagas... podem ser diminuídas. O telejornal vai passar notícias sensação... pode escolher que tipo de informação quer ver. O GPS está lá... o colesterol também.. assim como a diabetes e todas essas doenças do nosso século. É tudo uma questão de consciência.


Assim como temos de ter consciência acerca de nós, também devemos ter dos outros. O Eu ocupa muito espaço dentro de nós, tanto que deveríamos deixar mais espaço para que os Outros entrassem e aí, certamente, cresceríamos mais.
É em consciência, que deixo aqui uma palavra de emoção e condolência aos habitantes da Região Autónoma da Madeira

P.S. já há algum tempo que não escrevia. Bom ano para todos (sim, estamos no fim de Fevereiro) e Ânimo!
Porque sou humana para além de actor nesta sociedade...

segunda-feira, novembro 30, 2009

Livre

Era alguém pedindo um sonho,
era um monte para além do horizonte
e água numa nova e fresca fonte.
era alguém....

Disseram que havia tudo e que bastava querer,
disseram que estava tudo ali a um passo.
Era alguém que acredita em abrir as asas,
disseram que não era preciso voar.

Princesa de um mundo sem castelos, sem contos de fada...
princesa do seu pequeno tudo e do restante nada.
Não peças, não temas e não oiças
porque o vento não sopra sempre na mesma direcção.
Ouve a voz dessa tua canção.

Deixa o resto lá para trás...
Disseram que não eras capaz?
Vive a vida... agarra essa nuvem e voa
sorri e chora porque só assim és livre

sexta-feira, setembro 18, 2009

Voá borboleta, abri bôs asas e voá
Bem trazêm quel morabeza
Quand m'oiábô
Bô ca têm ninhum tristeza
Mesmo si bô ta morrê manhã
Dor ca ta existi pa quem voá

Borboleta, borboleta
Abri bôs asas e voá, mesmo se vida bai amanhã
Borboleta...
Se um prende vivê ess vida
Cada dia voá

É um mensagem pa tude gente
Qui tá sobrevivê, tude alguêm sim força pá voá pa vivê
Lá na mei de escuridão,
No podê encontra razão
Só no credita
No podê voá

Borboleta, borboleta
Abri bôs asas e voá
Mesmo se vida bai amanhã
Borboleta
No podê vivê nos vida
Cada dia voá

quarta-feira, setembro 16, 2009

And it remains the same

Em 2007 escrevi algo que descreve um estado de espirito actual da melhor forma


Release me

Fujo do tempo, fujo da saudade mas eles teimam em ficar e constantemente pedem-me explicações. Os dois em conluio para me fazerem questões, fazer trabalhar o cérebro, colocar em causa o que tenho como certo, como que dizendo «esquece o agora e olha para nós».
Flashback e eis que surgem sorrisos, cabelos loiros, birras, cheiro a mar, dois pedaços de pano rasgados - caí a andar de bicicleta e rasguei as calças de forma brutal - e o beiço rachado, dois medos - o de ficar sem pai e mãe e de ninguém gostar de mim - e o mundo a tratar-me por menina.
Noite e um cheiro a acre no chão, do mijo dos cães e do vómito de um transeunte que abusou da vodka e de outras bebidas brancas. 5h da manhã e não sei para onde ir, só me aparecem luzes fortes, de um fuscia brilhante que não consigo descrever, diria estupidamente agressivo e só me consigo lembrar de músicas dos Skunk Anansie e do estalo que dei a um miudo que gozou comigo na primária porque simplesmente escorreguei e caí desastradamente. Rio sozinha e sinto-me observada. Rirão de mim ou para mim? Sigo em frente e o fuscia desapareceu. Oiço uma daquelas músicas de uma loira qualquer pensa que canta e não sei que horas são, por isso pergunto ao taxista, olvidando o relógio do meu pulso e o telemóvel. 5h30 da manhã, numa avenida qualquer, a caminho da realidade que parece repisar todos os dias os calos que a vida me fez: os desgostos - ser, estar, pensar, sentir nesta corja. Chego a casa e esqueço-me do resto mas o fuscia regressa.
Olho-me ao espelho e de repente a visão dos bocados de vidro a virem na minha direcção como castigo de eu me reflectir nele todos os dias. Concentro-me e não me reconheço ali, naquela imagem de cara macia, menina do secundário, sem borbulhas, com brilho no olhar, com traço de provocação, cheiro dos primeiros cigarros, água de colónia de bébé, nariz empinado, ar seguro, firme, angélica.
Olho para dentro e solto um grito... Não quero demonstrar a face negra nem lembrar-me dos cabelos loiros. Quero ser eu mas não me deixam: porque sou sempre de menos ou demais em qualquer circunstância. O que hei-de ser? Segura como o espelho vê? Calculista? Fria? Dizer o que penso ou esconder para mim? Usar um tom forte na voz, ou sensual? Abstraír-me ou envolver-me mais? Ler mais sobre economia, sobre direito, sobre política para verem que sou inteligente? Deixem-me....
Estava a chover quando quis saír de casa novamente para o mundo, para o quotidiano de todos os dias e apercebo-me de mim, por isso não me definam, não me rotulem nem me esquematizem em vossos planos. Sou um pedaço de muita coisa, podendo ser só um pedaço de chão ou um pedaço de céu, mas não. Escondo-me nos lençóis timidamente e não contarei isto a ninguém. Adormeço e sai-me um «deixem-me».


Turn Left

Uma viragem nunca fez mal a ninguém, aliás é, para além de um escape, um renascimento de uma esperança, um novo fôlego face a um quotidiano cada vez mais molestador.
Já há algum tempo que pensava em mudar, em fazer algo de novo, esquematizar mecanismos que me impulsionassem para a ribalta diferente da criada por tachos e arranjos. Por enquanto nada mais são do que esquemas, esperando um futuro risonho baseado naquilo que deve ser tido como fundamental: valores como a humanidade, o respeito por mim e pelos outros, a sinceridade e consequentemente a clareza, a lealdade, a justiça.
Existem valores que não devem ser esquecidos e deve haver não só uma consciência individual mas, concomitantemente, uma consciência colectiva, uma abrangência de conhecimentos do que converge no «glocal» pois não estamos distantes uns dos outros e a internacionalização é prova disso. Como podemos advogar que a era da tecnologia sofisticada nos aproxima quando na realidade parece, cada vez mais, afastar-nos para um amantizar mesquinho do umbigo?
A nível nacional, as eleições estão à porta e está na consciência de cada um fazer o que está certo, acarretando, por isso, com as consequências dos actos. Votar é um acto de consciência, não pode ser tido com a leviandade de uma ida ao bailarico da aldeia num fim de semana. É a partir da voz do povo que tudo avança. Então para quê esta regressão? Porque não uma mudança? Pelo medo certamente que o termo acarreta afirmo. É preferível então o mesmo medo de sempre? Questão para reflectir.
Eu quero contribuir e ser sujeito activo nesta acção que deve fazer parte de todos, pela Igualdade e pela Humanidade.

terça-feira, setembro 15, 2009

Endgame

Dizem que os que ouvem Metal (das mais diversas variantes) são criativos, inteligentes, audazes e possuidores de forte espirito crítico. Não sei. Só oiço e gosto.
Navego na net verificando muitos dos blogs acerca dos entendidos ou críticos de Metal e não sei se hei-de rir ou pura e simplesmente fechar as páginas. Classifico-os apenas de Nerds do Metal pelo facto de apontarem detalhes que em nada são concordantes com a terminologia metálica e por terem uma memória tão curta como uma palheta. Já leram atentamente as letras da banda Megadeth? Já verificaram que não mudaram o seu registo durante os anos (tal como Maiden, por exemplo?) ou será que vão para sempre comparar esta famosa composição de músicos com Metallica? Penso não existir comparação. Os escaparates decidiram por si. As estatísticas, os criticos, as opiniões valem o que valem, sendo que a minha vale para mim e é o que me chega mas urge clarificar um pouco algumas coisas que não são de senso comum. Argumentos? Muitos porque essa de dizerem que os «gostos não se discutem» já está bafienta.... Nos anos 90 Mustaine e os seu comparsas foram, sem dúvida, a melhor banda de Heavy Metal ou têm melhor letra do que «Victory» de Youthanasia (1994) ou «Foreclosure of a dream» de Countdown to Extinction (1992)?
Quanto a melodia, todas elas sem excepção, são de uma categoria insuperável, tendo um senhor guitarrista de nome Mustaine a demonstrar desde 1982 a sua raça. É claro que existe uma coisa chamada intemporalidade que faz parte da génese do Metal, e faz com que muitas das grandiosas bandas tenham uma repetição (não redundância) de riffs, melodias e temáticas. Do novo álbum «Endgame» saliento 44 minutes bem como The Hardest Part of Letting Go... Sealed With A Kiss.... e virão certamente, pensamentos sexistas pois o Metal é cruel, rude, mau e não é para meninas, olvidando porém que é também realidade, verdade, justiça. E que substantivos melhores para terem associados os adjectivos supra identidficados? Remando ainda a favor da intemporalidade, as faixas que gosto mais e algumas outras de outros albúns têm muito em comum mas a inteligência reside em tirar proveito de temáticas já exploradas para além de coincidir modernidade com aspectos que tornam uma banda naquilo que ela é. Long live Megadeth é o que vos digo.

segunda-feira, junho 22, 2009

Because what doesn't kill me makes me stronger and i'm .... lucky







Do you hear me?
Talking to you
Across the water
Across the deep blue ocean
Under the open sky
Oh my, baby I'm trying

Boy I hear you in my dreams
I feel your whisper across the sea
I keep you with me in my heart
You make it easier when life gets harder

Lucky I'm in love with my best friend
Lucky to have been where I have been
Lucky to be coming home again
Ohhhohhhohhhohhohhohhhohh

They don't know how long it takes
Waiting for a love like this
Every time we say goodbye
I wish we had one more kiss
I'll wait for you, I promise you I will

Lucky I'm in love with my best friend
Lucky to have been where I have been
Lucky to be coming home again
Lucky we're in love in every way
Lucky to have stayed where we have stayed
Lucky to be coming home someday

And so I'm sailing through the sea
To an island where we'll meet
You'll hear the music fill the air
I'll put a flower in your hair

Though the breezes through the trees
Move so pretty, you're all I see
As the world keeps spinning round
You hold me right here right now

Lucky I'm in love with my best friend
Lucky to have been where I have been
Lucky to be coming home again
Lucky we're in love in every way
Lucky to have stayed where we have stayed
Lucky to be coming home someday
Ohhhohhhohhhohhohhohhhohh
Ohhhohhhohhhohhohhohhhohhohhohhohh

domingo, junho 21, 2009

Ansiedade Escondida

Anseio o meu mundo tonar-se um arco-iris
mas as minhas manhãs são cinzentas, pálidas.
Anseio que o mundo seja neutro
e evidencie oxigénio para que o possamos respirar,
em plenos pulmões e sem medo de nos infectarmos
de bactérias que continuamente o tornam sujo.
Anseio uma luta e revolta interior que desemboque
num espaço de calma sem tempestade ou caos que o mate.

A ansiedade escondida é aquela que vive e cresce em nós sem que a possamos deter
A ansiedade escondida é este meu desejo de nunca parar de ansiar:
por um presente com uma espinha dorsal para um futuro com ramificações consistentes.
Anseio pela construção do ser com esquissos anteriores cheios de sabedoria latente na sociedade que me rodeia.

E assim, se a ansiedade não fosse tão escondida de mim, de todos nós, o mundo (com uma requalificação global) teria uma sabedoria manifesta. incide a questão eterna do todos diferentes, todos iguais e vivemos nesta roda viva, sem tornar nada especifico e deixar o tempo passar.