Just a matter of Conscience
O título é inglês porque sim. Não tenho justificações a dar sobre algo que escrevo, apenas é em inglês porque me apeteceu dar-lhe uma sonoridade diferente mas algum do conteúdo das palavras que escreverei é muito português. Falo da depressão colectiva deste país à beira-mar plantado. O português acorda mal-humorado e adormece da mesma forma. O português já nem sabe levantar-se, sabe apenas grunhir sobre o porquê de se estar a levantar, sabendo que é mais um dia para contar para a reforma que nem sabe se vai ter com as 12h horas que trabalha todos os dias porque um trabalho para pagar comida, casa e despesas dela provenientes, não chega. O português deambula, não anda. Escarra no chão. Barafusta contra todos e diz que a culpa é do Governo. Claro que o aumento de IRS, a estagnação de salários, o diminuto ou mesmo nulo poder de compra não ajudam mas o português muitas vezes compra um GPS e tem net por fibra óptica mas vai apenas a Cantanhede buscar o vinho mais rasca e saca filmes porno do pior através do mesmo site de sempre. Depois de um dia de trabalho em vez de fazer um pouco de exercício, estagna e come aperitivos e bebe cerveja. Está deprimido, o português e, o pior, é que muitas vezes não sabe do que é e quando isso acontece culpa o Governo porque longínquo fica o pensamento de que é uma questão de consciência de si. Isso é um luxo para o português, mais caro que um BMW topo de gama. É uma realidade que estamos perante tempos difíceis, que existe uma depressão colectiva pois quando não é acerca do nosso quotidiano, é do quotidiano dos outros. Basta vermos os telejornais - que me incomodam imenso, tanto que não vejo os dos 4 canais nacionais - e ficamos repentinamente colados ao sofá, boquiabertos e, para os mais sensíveis, com a lágrima no olho e um certo tremor. Temos, sem dúvida, uma enchente de informação que causa angústia, tristeza, sensibilidade e um desnorteio sem igual. Perguntamos o que fazemos aqui, porque podemos contribuir para um mundo melhor... achamo-nos migalhas do enorme pão de quilo muitas vezes porque é tipicamente português sentir-se pequeno. Só nos sentimos grandes para inglês ver... É uma questão de consciência de nós mesmos, de sabermos o que temos, o que se depara no nosso caminho e não parar... não pensar demasiado e aproveitar o benefício (algum no meio de) da mudança rápida que nos assola todos os dias o quotidiano, retirando daí defesas através das distracções que nos são impelidas. Não é fácil. Muitas vezes vai apetecer fugir e inevitavelmente é isso que se vai fazer, contudo para quê fugir se não se sabe para onde?
O tempo encarrega-se de curar quase tudo mas não apaga e o português tem de ter noção disso em vez de afogar as mágoas tristemente e no dia seguinte ter uma dor de cabeça maior que a amargura. As contas vão estar lá para serem pagas... podem ser diminuídas. O telejornal vai passar notícias sensação... pode escolher que tipo de informação quer ver. O GPS está lá... o colesterol também.. assim como a diabetes e todas essas doenças do nosso século. É tudo uma questão de consciência.
Assim como temos de ter consciência acerca de nós, também devemos ter dos outros. O Eu ocupa muito espaço dentro de nós, tanto que deveríamos deixar mais espaço para que os Outros entrassem e aí, certamente, cresceríamos mais.
É em consciência, que deixo aqui uma palavra de emoção e condolência aos habitantes da Região Autónoma da Madeira
P.S. já há algum tempo que não escrevia. Bom ano para todos (sim, estamos no fim de Fevereiro) e Ânimo!
Porque sou humana para além de actor nesta sociedade...


1 Comments:
porque somos humanos não necessitamos de ser actores
frios e brancos flutuando tranquilamente no mundo?
ou sujos e cheios de vícios espreguiçando-se quando o sol cai?
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