sexta-feira, setembro 18, 2009

Voá borboleta, abri bôs asas e voá
Bem trazêm quel morabeza
Quand m'oiábô
Bô ca têm ninhum tristeza
Mesmo si bô ta morrê manhã
Dor ca ta existi pa quem voá

Borboleta, borboleta
Abri bôs asas e voá, mesmo se vida bai amanhã
Borboleta...
Se um prende vivê ess vida
Cada dia voá

É um mensagem pa tude gente
Qui tá sobrevivê, tude alguêm sim força pá voá pa vivê
Lá na mei de escuridão,
No podê encontra razão
Só no credita
No podê voá

Borboleta, borboleta
Abri bôs asas e voá
Mesmo se vida bai amanhã
Borboleta
No podê vivê nos vida
Cada dia voá

quarta-feira, setembro 16, 2009

And it remains the same

Em 2007 escrevi algo que descreve um estado de espirito actual da melhor forma


Release me

Fujo do tempo, fujo da saudade mas eles teimam em ficar e constantemente pedem-me explicações. Os dois em conluio para me fazerem questões, fazer trabalhar o cérebro, colocar em causa o que tenho como certo, como que dizendo «esquece o agora e olha para nós».
Flashback e eis que surgem sorrisos, cabelos loiros, birras, cheiro a mar, dois pedaços de pano rasgados - caí a andar de bicicleta e rasguei as calças de forma brutal - e o beiço rachado, dois medos - o de ficar sem pai e mãe e de ninguém gostar de mim - e o mundo a tratar-me por menina.
Noite e um cheiro a acre no chão, do mijo dos cães e do vómito de um transeunte que abusou da vodka e de outras bebidas brancas. 5h da manhã e não sei para onde ir, só me aparecem luzes fortes, de um fuscia brilhante que não consigo descrever, diria estupidamente agressivo e só me consigo lembrar de músicas dos Skunk Anansie e do estalo que dei a um miudo que gozou comigo na primária porque simplesmente escorreguei e caí desastradamente. Rio sozinha e sinto-me observada. Rirão de mim ou para mim? Sigo em frente e o fuscia desapareceu. Oiço uma daquelas músicas de uma loira qualquer pensa que canta e não sei que horas são, por isso pergunto ao taxista, olvidando o relógio do meu pulso e o telemóvel. 5h30 da manhã, numa avenida qualquer, a caminho da realidade que parece repisar todos os dias os calos que a vida me fez: os desgostos - ser, estar, pensar, sentir nesta corja. Chego a casa e esqueço-me do resto mas o fuscia regressa.
Olho-me ao espelho e de repente a visão dos bocados de vidro a virem na minha direcção como castigo de eu me reflectir nele todos os dias. Concentro-me e não me reconheço ali, naquela imagem de cara macia, menina do secundário, sem borbulhas, com brilho no olhar, com traço de provocação, cheiro dos primeiros cigarros, água de colónia de bébé, nariz empinado, ar seguro, firme, angélica.
Olho para dentro e solto um grito... Não quero demonstrar a face negra nem lembrar-me dos cabelos loiros. Quero ser eu mas não me deixam: porque sou sempre de menos ou demais em qualquer circunstância. O que hei-de ser? Segura como o espelho vê? Calculista? Fria? Dizer o que penso ou esconder para mim? Usar um tom forte na voz, ou sensual? Abstraír-me ou envolver-me mais? Ler mais sobre economia, sobre direito, sobre política para verem que sou inteligente? Deixem-me....
Estava a chover quando quis saír de casa novamente para o mundo, para o quotidiano de todos os dias e apercebo-me de mim, por isso não me definam, não me rotulem nem me esquematizem em vossos planos. Sou um pedaço de muita coisa, podendo ser só um pedaço de chão ou um pedaço de céu, mas não. Escondo-me nos lençóis timidamente e não contarei isto a ninguém. Adormeço e sai-me um «deixem-me».


Turn Left

Uma viragem nunca fez mal a ninguém, aliás é, para além de um escape, um renascimento de uma esperança, um novo fôlego face a um quotidiano cada vez mais molestador.
Já há algum tempo que pensava em mudar, em fazer algo de novo, esquematizar mecanismos que me impulsionassem para a ribalta diferente da criada por tachos e arranjos. Por enquanto nada mais são do que esquemas, esperando um futuro risonho baseado naquilo que deve ser tido como fundamental: valores como a humanidade, o respeito por mim e pelos outros, a sinceridade e consequentemente a clareza, a lealdade, a justiça.
Existem valores que não devem ser esquecidos e deve haver não só uma consciência individual mas, concomitantemente, uma consciência colectiva, uma abrangência de conhecimentos do que converge no «glocal» pois não estamos distantes uns dos outros e a internacionalização é prova disso. Como podemos advogar que a era da tecnologia sofisticada nos aproxima quando na realidade parece, cada vez mais, afastar-nos para um amantizar mesquinho do umbigo?
A nível nacional, as eleições estão à porta e está na consciência de cada um fazer o que está certo, acarretando, por isso, com as consequências dos actos. Votar é um acto de consciência, não pode ser tido com a leviandade de uma ida ao bailarico da aldeia num fim de semana. É a partir da voz do povo que tudo avança. Então para quê esta regressão? Porque não uma mudança? Pelo medo certamente que o termo acarreta afirmo. É preferível então o mesmo medo de sempre? Questão para reflectir.
Eu quero contribuir e ser sujeito activo nesta acção que deve fazer parte de todos, pela Igualdade e pela Humanidade.

terça-feira, setembro 15, 2009

Endgame

Dizem que os que ouvem Metal (das mais diversas variantes) são criativos, inteligentes, audazes e possuidores de forte espirito crítico. Não sei. Só oiço e gosto.
Navego na net verificando muitos dos blogs acerca dos entendidos ou críticos de Metal e não sei se hei-de rir ou pura e simplesmente fechar as páginas. Classifico-os apenas de Nerds do Metal pelo facto de apontarem detalhes que em nada são concordantes com a terminologia metálica e por terem uma memória tão curta como uma palheta. Já leram atentamente as letras da banda Megadeth? Já verificaram que não mudaram o seu registo durante os anos (tal como Maiden, por exemplo?) ou será que vão para sempre comparar esta famosa composição de músicos com Metallica? Penso não existir comparação. Os escaparates decidiram por si. As estatísticas, os criticos, as opiniões valem o que valem, sendo que a minha vale para mim e é o que me chega mas urge clarificar um pouco algumas coisas que não são de senso comum. Argumentos? Muitos porque essa de dizerem que os «gostos não se discutem» já está bafienta.... Nos anos 90 Mustaine e os seu comparsas foram, sem dúvida, a melhor banda de Heavy Metal ou têm melhor letra do que «Victory» de Youthanasia (1994) ou «Foreclosure of a dream» de Countdown to Extinction (1992)?
Quanto a melodia, todas elas sem excepção, são de uma categoria insuperável, tendo um senhor guitarrista de nome Mustaine a demonstrar desde 1982 a sua raça. É claro que existe uma coisa chamada intemporalidade que faz parte da génese do Metal, e faz com que muitas das grandiosas bandas tenham uma repetição (não redundância) de riffs, melodias e temáticas. Do novo álbum «Endgame» saliento 44 minutes bem como The Hardest Part of Letting Go... Sealed With A Kiss.... e virão certamente, pensamentos sexistas pois o Metal é cruel, rude, mau e não é para meninas, olvidando porém que é também realidade, verdade, justiça. E que substantivos melhores para terem associados os adjectivos supra identidficados? Remando ainda a favor da intemporalidade, as faixas que gosto mais e algumas outras de outros albúns têm muito em comum mas a inteligência reside em tirar proveito de temáticas já exploradas para além de coincidir modernidade com aspectos que tornam uma banda naquilo que ela é. Long live Megadeth é o que vos digo.