quinta-feira, maio 29, 2008

Futuro Mais-que- Perfeito

Recebi um e-mail há pouco tempo que tinha como conteúdo a estética. Li com atenção. Reparei que era apenas dirigido ao género feminino. Concordei com a maior parte das palavras. Outras tantas são, porventura, uma discriminação dissimulada.
Até à data, com efeito, modelos esqueléticas ditavam a moda, enchiam a cabeça de nós, as comuns mortais, com ideias fixas de emagrecimento mesmo que tivéssemos 5 kg a menos para a nossa estrutura física. Algo mudou ligeiramente. Algumas medidas foram tomadas para que modelos com 1,75m tivessem, no mínimo, 58kg. Muito bem. Os distúrbios alimentares continuam, como tantos outros problemas intemporais. Porém, podemos diminuir ou atenuar... a competência é nossa.
Muitos entendidos em moda exclamaram que as roupas ficam melhor nas mais magras, esquecendo-se de que o corpo feminino tem curvas! É essa a principal diferença (física, entenda-se) entre género feminino e masculino, como tal não se pode apagar, renunciar a factos.
Acho que se uma mulher tem vontade de comer, deve comer; se tem vontade de saltar, dançar, soltar o cabelo, deve fazê-lo! Porque terá de estar sempre impecável? Porque terá de ter olhos recriminatórios em redor? Já não basta ter de fazer a depilação; ter as unhas cintilantes; ter o cabelo penteado, sem considerar condições climatéricas; ter um sorriso constante nos lábios, etc. (muito et caetera).
As cicatrizes de uma cesariana, os sinais, um pouco de celulite (que toda a gente tem), uma estria mais pronunciada fazem parte da vida! Não se pode criar paranóia por isto porque somos produto da imperfeição, não somos máquinas, não somos bonecas (coisa que muitos homens ainda não entenderam, iludindo-se periodicamente com as maravilhas do photoshop e afins)!
A mulher do quotidiano, aquela que se vê sem truques, com os defeitos de fabrico é a que faz parte do futuro mais-que-perfeito, qualquer castigo imputado ao corpo não é natural! Uma coisa é cuidarmos de nós por questões de higiene (que ao fim e ao cabo são também culturais), outra é exagerarmos ao ponto de não aproveitarmos a nossa essência. Sou a favor da vaidade saudável e não da escravatura do corpo.