terça-feira, outubro 30, 2007

Feliz

Acordo de manhã e vejo o sol radiante, com todo o seu esplendor e a desejar-me «bom dia». Levanto-me com a certeza de que irei sorrir como qualquer um dos garotos que se encontram a brincar no pátio em frente à minha casa e, de súbito, apetece-me brincar com eles, jogar à bola, jogar à apanhada, em vez de, como tantos outros, jogar playstation em casa. Olho para eles da minha janela e rio-me, recordando alguns pormenores de quando tudo era puro, inocente.
Apetece-me fazer bolas de sabão, jogar ao berlinde, apanhar flores e correr num campo verde. Respirar ar puro e aproveitar o que resta na Mãe Natureza. Sinto-me radiante como o sol que me deu os bons dias por ter tudo aquilo que quero na vida, por saber que existo, que dão valor à minha existência e que eu dou valor à existência dos que gostam de mim. Apetece-me oferecer uma flor a toda a gente e dizer «gosto de si/ti». Num impulso, se voasse, retirava todos, agora, dos seus locais de trabalho, estudo, faríamos uma roda gigante de mãos dadas, gritaríamos ao mundo que não existe nada melhor que a amizade. Parece ridículo, estranho mas acontecesse que, quando as coisas boas, começam a parecer ridículas é porque se perderam qualidades como a sensibilidade.
Oiço na rádio músicas como «let the sunshine in» e apercebo-me de que existem constantes raios de sol na minha vida. Sinto-me feliz

sexta-feira, outubro 26, 2007

Honras

Das pessoas que mais gosto, agradeço a quem esteve comigo, quem me apoia, quem me compreende, quem me mima, quem me abraça e ainda me faz sentir (mesmo não sendo) a mulher mais linda do mundo!

É importante salientar isso porque, mesmo soando a ridículo, não o é! É genuíno, é meu! Sei que existem pessoas com as quais queria contar, mas a entrega não é total, o desprezo e escárnio são sempre superiores. Orgulho é doença: aprendi isso com aqueles que realmente gostam de mim e tentei transmiti-lo, falhando. Por muita desilusão que tenha, agradeço por me dizerem tão simplesmente «Mereces ser feliz».

Obrigada! :)

A imprensa e o povo

Muita saliva escorre quando se fala de imprensa, quer seja esta amiga ou inimiga, segundo o traçado que o senso comum esboça. Sem querer ferir susceptibilidades, o trabalho jornalístico, de forma geral, em Portugal, é tão somente escrevinhar sobre assuntos que cheiram a mofo. Existe uma repetição aguda, um sensacionalismo berrante, vindos de cabeças que, muitas vezes, podem dar mais. Não acredito que seja apenas o povoléu a ditar as regras, existe sim uma interdependência entre quem escreve e quem lê, sendo que tem de se dar informação reeducando os hábitos do leitor, porque a psicologia prova que nós somos essencialmente «hábitos». Entendo o nível de literacia no nosso país como um escape a esta questão pertinente, contudo o jornalista não deve alimentar esta inércia.
Um público especial, os homens, deverá apenas ter como capas de revista meninas semi-nuas a segurar uma banana descascada? Ou deverá apenas ter a informação de que o Cristiano tem x ou y namorada? Igualmente especial, o grupo das mulheres, deve apenas ter informação do que a Felismina fez à Raimunda na novela «Sou como um rio»? Esta é uma questão que fomenta e cimenta cada vez mais a teoria das diferenças entre os géneros, baseada em frases feitas e anedotas que se tornaram numa realidade bacoca.
Um exemplo, citado por Inês Pedrosa na Única, revista do jornal Expresso, é a importância dada a José Mourinho quando este sai do aeroporto e entra no carro. Meu Deus! exclamaria se acreditasse mas sai-me um palavrão plebeu. Como é que o XXI Encontro Internacional da Associação Brasileira de Professores de Literatura Portuguesa passa em branco? Será que a nossa cultura é Mourinho, Cristiano, Soraia Chaves, Merche Romero e afins?
Está mais do que na altura de nos desenvencilharmos de cordas sufocantes e darmos valor aquilo que é nosso, abrirmos os horizontes, para não ter de ouvir, como já ouvi, por parte de jovens da mesma faixa etária «o nosso país é pequeno». Alguns são jornalistas.

terça-feira, outubro 16, 2007

Silêncio

Onde estás? Avassalador sentimento,
ausente neste meu mau momento.
Onde te escondes? Criatura dos meus sonhos,
cúmplice de credos medonhos.

Será que existes e andas mesmo por aí?
Será apenas da minha fértil imaginação?
Estarás aqui ou a léguas de distância?
És matéria eterna ou felicidade momentânea?

Procuro-te em vão. No meu pensamento não existe
uma mão a agarrar-me, antes uma que desiste.
Onde andas tu para me dares a mão?
Onde andas tu para me dares corda ao coração?

Quero um conto de embalar, até adormecer.
Quero um colo e uma palavra que corte o silêncio.
E se eu não adormeço nunca mais,
por causa do silêncio que foi demais?

(onde estás agora?)

segunda-feira, outubro 15, 2007

A ouvir... «Beatriz» - Ana Carolina



Olha, será que ela é moça
Será que ela é triste
Será que é o contrário
Será que é divina
A vida da atriz
Se ela dança no sétimo céu
Se ela acredita que é outro país
E se ela só decora o seu papel
E se eu pudesse entrar na sua vida
Olha, será que é de louça
Será que é de éter
Será que é loucura
Será que é cenário
A casa da atriz
Se ela mora num arranha-céu
E se as paredes são feitas de giz
E se ela chora num quarto de hotel
E se eu pudesse entrar na sua vida
Sim, me leva para sempre Beatriz
Me ensina a não andar com os pés no chão
Para sempre é sempre por um triz
Ah! Diz quantos desastres tem na minha mão
Diz se é perigoso a gente ser feliz
Olha, será que é uma estrela
Será que é mentira
Será que é comédia
Será que é divina a vida da atriz
Se ela um dia despencar do céu
E se os pagantes exigirem bis
E se um arcanjo passar o chapéu
E se eu pudesse entrar na sua vida


(original de Chico Buarque)

domingo, outubro 14, 2007

Um segredo.... (chiu)

Vou escrever como se estivesse a escrever num diário. Uma parte da minha biografia, que pode dar para rir, para chorar, para gozar ou então para se ficar indiferente.

Hoje 14 de Outubro de 2007 é o dia da desgraça psicológica. O nome parece caricato mas palavra de honra que, se pudesse, apanhava-a, amarrotava-a, pisava-a, cuspia-lhe em cima e pegava-lhe fogo com um isqueiro e no fim ria-me às gargalhadas por ter sido mais forte. Sou fraca, portanto caio em desgraça. Tento ser fria, distante, mas não consigo. Apego-me às pessoas.
Apeguei-me a ti, tomei-te como meu por inteiro, chamei-te o que nunca chamei a ninguém, chorei amargamente o teu nome quando ecoava na minha cabeça, nos meus sonhos. Fiz planos contigo, mil sorrisos em conjunto partilhamos sem uma única promessa e por isso agradeço-te, pois a desilusão veio sozinha, inesperada, invertebrada no seu conjunto. Sem dó nem piedade. Não tenho respostas, não tenho conselhos. Apenas entregue a mim, à minha desgraça psicológica, assustada, desamparada, menina de berço. Ingenuamente acreditei no amor, ingenuamente tenho uma esperança, ingenuamente perdida. Tentarei congelar meu coração, um balde de água fria na cabeça e, a vida? Essa nunca é em vão!


Deixou de ser segredo, agora que pensem o que quiserem. eu, com direito a escrever o que quero, escrevi o que sinto.

Beijos a todos

sábado, outubro 13, 2007

Pois claro

Em Roma sê romano: a estupidez faz parte do ser humano;
Não faças aos outros aquilo que não gostas que façam a ti: o que fiz de bom já me esqueci.
Quem parte e reparte, fica com a melhor parte: hm... não me parece (sim, não rima)

Enfim... fico-me pelo latim. Res non verba!

Kids ou No kids?

Li um artigo interessante, na revista Happy deste mês que me desapontou, não pela forma mas pelo conteúdo, embora compreenda o porquê de ter sido abordado este assunto, que preocupa tanto as mulheres. O artigo foi baseado no livro, de Corinne Maier, «No kid: quarenta razões para não ter filhos» e demonstra-nos a nós, caras leitoras, 16 de 40 razões para não termos filhos. Note-se que a autora tem filhos e a meu ver, como intérprete que sou, este é apenas o outro lado, o negativo de algo que tem o lado positivo.
Muitas mulheres, optam por não ter filhos, em prol de outros objectivos, sejam eles a carreira, o lazer ou pura e simplesmente porque não querem. Ser mãe sempre significou ser mulher no seu sentido mais completo e complexo, sendo que a mulher que não tinha filhos, até há bem pouco tempo, era desprezada como uma inútil, se bem que nem sempre o facto de não se poder ter filhos era «culpa» da mulher. O rótulo era imprimido, à mulher, com culpa mas sem aspas.
Mãe tem um significado muito especial para outras mulheres: concretização de um sonho. Nada existe de egocêntrico, se não também diríamos que quem opta por não ter filhos é egoísta, porque só quer dar atenção a si própria. Não vou argumentar nem para um lado nem para o outro. Apenas acho que quem tem filhos tem prós e contras, como em qualquer outra situação na vida. É nesse sentido que afirmo que o artigo tem o lado mais negativo mas obviamente que existe lado positivo e é aí que reside o equilibrio, como em qualquer outra opção que tomamos na vida.
Os factores mais importantes serão as transformações corporais, a imagem que o companheiro/marido passa a ter da mulher, isto a nível psicológico. A nível material serão os gastos que a educação, alimentação, saúde acarretam.
Penso em ser mãe um dia, talvez daqui a dez anos pois sei que financeiramente e psicologicamente não estou preparada. O que ajudará certamente, para contradizer a autora e tantas mulheres que pensam exclusivamente assim, será a existência de um bom homem e, principalmente, bom pai e isso, realmente é difícil.
Entretanto, ainda tenho muita vida para aproveitar, sozinha, sem encargos. Poder saír à noite, como hoje, por exemplo, sem me preocupar.

segunda-feira, outubro 01, 2007

Sem Título

O que interessa nesta vida?
Não será o canto da ave anunciando a Primavera?
O trigo a doirar num campo cheio de Verão?
A água primeira do Outono?
Ou o frio que sentes no Inverno?

(enquanto penso,as perguntas ingénuas atropelam-se e querem todas saír ao mesmo tempo)

E se um dia não houver nada disto?
Ou se eu um dia me tornar um bocado de coisa alguma?
Sem sentimento, tábua rasa, sem dor nem amor.
Se perante situações nas quais é suposto rir, chorar?
Virar as costas quando alguém, para mim, estiver a falar?

E se as estrelas caírem e uma delas me acolher,
ficando eu com a sua luz?
Ou então o vento leva-me e eu nunca mais volto,
De certo não faria falta,
de certo não ia ocupar memórias.

Nada resta nesta vida senão a saudade,
senão a migalha de pão pelo qual se sua todos os dias.
Resta-me a lembrança de ser criança, ingénua, sem medos.
Agora nada me protege.