Na rua
O rapaz que vai na rua,
solta uma alegre chalaça.
De repente olha-me e imagina como serei nua;
caminha com ar cheio de graça.
Virei-me para ele com desdém:
«Não sou o que tu queres».
Respondeu-me que não tinha ninguém,
disse «Na tua ou na minha, onde preferes?»
Camisola de algodão colada ao corpo,
um caracter chinês no braço cravado.
Olhou-me com avidez, entusiasmado,
desacreditei-o com rebolar endiabrado.
Saí depois, porta fora mas não me arrependi.
Será que amanhã me lembrarei de ti?
E ficou-me na lembrança o encontro na rua.
Agora só as estrelas, lá fora o riso da lua.


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