terça-feira, setembro 25, 2007

O que nós sabemos

Nós sabemos o que o Scolari fez pela Selecção Nacional. Sabemos que o Scolari fomentou um bom ambiente no balneário, que cultivou o respeito de todos os jogadores, uma organização técnica exemplar. Também sabemos que o técnico da selecção portuguesa deu um soco a um jogador sérvio pelo facto de este o ter provocado, com palavras menos próprias. É facto que o Scolari não se encontrava na área respectiva do treinador e por si só, perde parte da razão. O resto da razão perde-a no acto em si: o soco. Ou seja, Scolari «esquentou e botou para quebrar» o que não é digno de um técnico, uma vez que é este quem tem de dar o exemplo e abstraír-se de eventuais provocações.
Nós sabemos que o técnico pediu desculpa e que está a ser apoiado pela federação portuguesa de futebol. Porquê? Porque não se passa de repente de bestial a besta. O Sr. Scolari não. Tenhamos a memória fresca e recordemos o que ele foi para a nossa selecção. O saber não ocupa lugar...

...

Já não sei para que lado me virar, tantas foram já as voltas que dei nesta cama tão fria. São quatro da manhã e imagino que não deve haver ninguém como eu, neste mundo, com insónias, daquelas que ferem, não precisamente por ter sono mas por serem consequência daquilo que vivo. Decido escrever no meu caderno que funciona como uma espécie de diário, onde tantas vezes faço rabiscos daquilo que viverei e outras tantas, desenhos daquilo que sou. Não existem conclusões, apenas lágrimas enquanto escrevo. Lágrimas porque a minha vida é uma frustração, por nunca ter completo o meu sonho mas sim a vivência de uma realidade cortante. Lágrimas porque quero sempre ser diferente para aguentar o egoísmo e, muitas vezes, a estupidez dos outros. Lágrimas por eu ser estúpida ao pensar assim.
Vagueio pela casa - eu ando tão triste - vou até à sala para ver se na tv passa um filme que contenha cenas mais tristes que a cena do filme da minha vida. Em vão, não há filmes de jeito a estas horas. Resta-me observar a rua e absorver o silêncio que existe, fechando os olhos e esboço o mundo à minha imagem. Posso, não devo. Imagino antes o mundo à imagem dos outros, tentando encontrar em mim uma mão cheia de personagens diferentes. Ora porque é quando eu falo, não sou ouvida e tenho de conviver com algo que não gosto? Esqueço a minha persona e tento não magoar ninguém mas ninguém faz isso por mim. Está resolvido, vou deixar de me preocupar e fazer tudo à minha maneira, vou deixar de olhar ao meu redor para ver do que precisam. Talvez assim, não tenha insónias.
Parece que tudo o que peço é sempre demais, tudo o que faço é sempre demais, tudo o que digo é sempre demais. A minha vida realmente, é demais! Sempre me disseram que a felicidade consegue-se fazendo os outros felizes mas não serei eu «outro» para alguém? Oh, querem ver que sou invisível? Ao menos acordo bem disposta, às vezes, quando sonho.

segunda-feira, setembro 17, 2007

Na rua

O rapaz que vai na rua,
solta uma alegre chalaça.
De repente olha-me e imagina como serei nua;
caminha com ar cheio de graça.

Virei-me para ele com desdém:
«Não sou o que tu queres».
Respondeu-me que não tinha ninguém,
disse «Na tua ou na minha, onde preferes?»

Camisola de algodão colada ao corpo,
um caracter chinês no braço cravado.
Olhou-me com avidez, entusiasmado,
desacreditei-o com rebolar endiabrado.

Saí depois, porta fora mas não me arrependi.
Será que amanhã me lembrarei de ti?
E ficou-me na lembrança o encontro na rua.
Agora só as estrelas, lá fora o riso da lua.

Futemachismo

O futebol meus amigos, por muito que queiramos, nunca há-de ser desprovido de machismo. Existe uma pseudo-inserção das mulheres no futebol, muito por causa do pouco crédito nos dotes de pés, por norma, abaixo do número 40. A mulher que gosta de ver futebol das duas uma: ou é lésbica ou então vai ao estádio só para ser vista. Nunca ninguém pensou que existem inúmeros motivos para que as mulheres também gostem de futebol: 22 homens em campo, outros tantos ao pé delas, no estádio; redução de preços nos bilhetes em algumas datas (o que acho rídiculo, tipo ladies night); a libertação de hormonas, da tão badalada emotividade. Obviamente que o atrás escrito não é tudo racional, mas são motivações, sendo que se se gosta de futebol, gosta-se e pronto, é uma paixão. Não me dirijo a nenhum clube, dirijo-me ao futebol, enquanto actividade desportiva.

A mulher é vista como acessório na cena futebolística. Deparei-me com um episódio aquando da ida a um estádio de futebol, que no mínimo foi o espelho da sociedade, ainda machista, portuguesa. Numa tradição, que nem sequer é nossa, moçoilas que ainda não estão na casa dos trinta, baloiçam o corpo, mostram sorrisos cintilantes. Meninas com pom-pons nas mãos, carinha de Barbies, a abanarem as ancas, são captadas pelos astutos câmara-mans, para os senhores de cerveja na mão se regozijarem no sofá a ver o jogo. Os que estão no estádio, querem saltar para o meio do campo, onde elas estão. O que têm as mulheres a ver com o futebol?


Um símbolo de puro machismo: a mulher como objecto, como atractivo, entretenimento masculino, antes de um jogo de futebol. As mulheres não podem gostar de futebol, é o que se constata.

segunda-feira, setembro 10, 2007

Wishlist - Pearl Jam

I wish I was a neutron bomb, for once I could go off.
I wish I was a sacrifice but somehow still lived on.
I wish I was a sentimental ornamnet you hung on
The christmas tree, I wish I was the star that went on top,
I wish I was the evidence
I wish I was the grounds for fifty million hands up raised and opened toward the sky.

I wish I was a sailor with someone who waited for me.
I wish I was as fortunate, as fortunate as me.
I wish I was a messenger, and all the news is good.
I wish I was the full moon shining off your camaro's hood.

I wish I was an alien, at home behind the sun,
I wish I was the souvenir you kept your house key on.
I wish I was the pedal break that you depended on.
I wish I was the verb to trust, and never let you down.

I wish I was the radio song, the one that you turned up,
I wish, I wish, I wish, I wish,
I guess it never stops.

Fuck!



The only word that i want to say right now.


Was i a piece of shit, of junk? Nevermore

sexta-feira, setembro 07, 2007

Setembro

Voltamos a Setembro, que é o mês que marca o início de uma nova estação: o Outono. Este mês é o mês da depressão, para muitos. Começando pelos mais pequenos: regressam às aulas, que é dizer ao estudo, ao encarceramento numa sala durante longos períodos de tempo; os mais ansiosos, contentes com o facto dão-se bem. Mal comum? Muitos deles não têm aulas. Porquê? Porque não há professores. Ou melhor, há professores mas estes estão no desemprego, à espera de uma colocação concedida pelo Estado, melhor dizendo, Ministério da Educação. Incoerente. Depois existem também os casos, nas pequenas aldeias do nosso país, em que as crianças têm de fazer dezenas de quilómetros para terem aulas, como é o caso de dois meninos de uma aldeia do concelho de Guarda. Ambos, com nove anos, terão de fazer onze quilómetros e já mudaram três vezes de escola.
A depressão continua, com o facto de os pais terem de esticar o ordenado, para que os filhos tenham o material necessário exigido pelos professores. Um casal que tenha um rendimento equivalente a dois ordenados mínimos, só pode ter um filho na escola, caso tenha dois, um deles terá de ser «sacrificado». Ups! O ensino é obrigatório...

Mês de Setembro, mês de regresso das férias tão desejadas: México, Brasil, Canárias, Fiji. Eu fico-me pelo «Portugalinho», o dinheiro não estica e fica caro pedir um crédito ( se se lerem as condições contratuais...). O pessoal fica deprimido: volta ao trabalho, o chefe resmunga, a malta tem duas horas de almoço, faz pausas para cigarros, cafés, joga ao solitário, tecla no messenger com os amigos. Não se admite! Que castradores! O pessoal chega cansado a casa.
Somos o país menos produtivo da Europa. E então? Fazemos o que podemos. A vida está mal. É a crise. «Mas qual crise?», perguntou-me uma amiga minha de nacionalidade brasileira.

Em Setembro: Foram destruídas as Torres Gémeas de Nova Iorque, por terroristas islâmicos, a 11 de Setembro de 2001; A 2 de Setembro1666, um grande incêndio deflagrou em Londres, destruindo uma parte substancial da cidade; 1 de Setembro de 1945 o Japão rende-se aos aliados, após o lançamento de duas bombas atómicas em Hiroshima e Nagasaki.

Miguel de Cervantes, Bocage, Agatha Christie nasceram em Setembro; as mulheres passam a ter garantia legal de igualdade de oportunidades e de tratamento no trabalho e no emprego, em 1979 (uma mentira em Portugal).

Meus amigos, a festa do Avante! é em Setembro!