Direitos e... Deveres
Tenho o direito de estar triste, ou também mo tiram? Tenho o direito de ser, ou não? É que, numa sociedade cada vez mais castradora, repressora, avassaladora e todos os sinónimos que queiram ler a partir destes adjectivos, é díficil ser-se, estar-se. Não falo das leis, do Estado, falo do povo, do zé povinho e das marias-da-fonte. Se uma pessoa é simpática, deveria mostrar menos os dentes e é logo rotulada de «atrevida», de «lambisgóia», de «sonsa», dependendo do contexto. Se uma pessoa mostra algumas reservas face a um assunto, face a um gracejo ou a um cumprimento, é escarrapachado no curriculum a graciosidade de «antipática», «carrancuda», «besta». Voltando à frase inicial: Tenho o direito de estar triste! De sentir dores nas entranhas e de querer virar o mundo de patas para o ar! Mas o dever chama-me e tenho de me controlar, ser boazinha, respirar fundo e mostrar um sorriso cintilante. Ora bolas, não me apetece! Quero lá saber das condicionantes da acção humana, isso é matéria de escola para mim, hoje. Não me apetece mostrar sorrisos, a não ser que me dêem um bom motivo para um.
Tenho o dever de não importunar ninguém, não é verdade? Tenho o dever de ser minimamente bem educada, sendo que «minimamente» corresponde ao «obrigada», «se faz favor» e afins. Eu consigo.


0 Comments:
Enviar um comentário
<< Home