Opinião e Quotidiano
Das muitas crónicas que Ana Santa Clara escreve, aos sábados, no Correio da Manhã, esta foi, sem dúvida a minha preferida, sendo que as publicadas até agora não continham todos os ingredientes para que se pensasse, reflectisse e depois esboçasse uma opinião. Gosto da maneira exagerada mas directa dela, gosto da comédia que ela coloca nas frases que compõe, não por ser propositado mas sim por ser real, vivido por muitos(as) de nós.
Sábado passado Ana Santa Clara fala de um complot masculino. Sei que já estamos a caminho de outro sábado e já se torna desactualizada a crónica, mas não o tema.
Já tinha dito muitas vezes que os homens sabiam como nós funcionamos mas utilizam a velha frase, com desespero no olhar «mulheres...». Sabem também quando nos sentimos humilhadas e desrespeitadas, mas não o deixam de fazer... porquê? Porque depois, segundo Santa Clara «põem-se ali todos aos beijinhos e, nós, claro, sempre a ceder, porque coitados dos homens não é, sempre soubemos que não nos conseguem entender porque nós somos muito complicadas e muito emocionais», sendo que nós compactuamos com isto. Parece ridiculo mas não é tanto assim, porque nós mulheres dizemos que «sim» em vez do «o que é que tem a ver?» quando perguntadas sobre se estamos com o período... oh, please!
Se não os aguentas, junta-te a eles... melhor dizendo, temos diferenças.... e? Os homens são, normalmente, mais estáveis, equilibrados, racionais e constantes. As mulheres são, na maioria, mais emocionais, inconstantes. E?
«E então, qual é o mal? A natureza também é assim! O sol não nasce sempre igual todos os dias (...). Ou seja, não somos rotineiras, nem somos estáveis nem equilibradas (...)». Claro! O ser perfeito, somos como a natureza e os homens são... deixa ver... a poluição. (just kidding)
«E, quer dizer, basta aos senhores cavalheiros pensarem naquele apêndice que têm, um orgão que é todo ele irracional, emocional e inconstante(...) para passarem a perceber o que é essa coisa da sensibilidade feminina!» Get it? Para aqueles que ainda não fazem parte do complot, porque os que fazem percebem tudo mas fazem-se de parvos.
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No seguimento do que atrás foi dito, uma vez que dizem que as mulheres têm um brilho especial quando estão com o período (outro mito - urbano, rural, global), ontem, 19 de Julho, estava à espera do autocarro, quando um rapaz alto, a transbordar James Dean no olhar e Matthew Mc Conaughey no resto, se aproximou. Eu estava a fumar o meu cigarro descansada, quando ele me diz, quase ao mesmo tempo que acende o dele: «Não devias fumar, faz-te mal» ao que eu respondi «Também não devias fumar então». Ele sorriu e soltou «Não faças o que faço, faz o que eu digo», rematei com «Moral...» desejando-lhe uma boa tarde.
Estava a caminho do trabalho, três jovens engravatados a ocupar o passeio, um deles reparou que eu vinha atrás, os outros dois desviaram-se a seguir, ficaram especados. Um deles disse educadamente «Faça o favor de passar princesa».
No trabalho, olhares, comentários à minha pele, ao meu cabelo, ao meu aspecto. Perguntas sobre a minha falta na terça-feira. Sabe bem sentirmo-nos especiais, apreciadas ou... será da inconstância de humor?


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