quarta-feira, julho 04, 2007

Ingenuidade

A vida que me espere
-enquanto eu estiver ausente-
de braços abertos,
com cólicas no ventre,
por me saber a existência,
por me negar a efervescência
de uma gargalhada latejante.

E saí eu de casa, num dia frio, para pensar no que faria aqui, neste lugar, nesta pseudo-civilização e se isto seria mesmo a vida. Sempre associei a este substantivo qualidades radiantes, com a leveza de passos de uma bailarina de ballet, um toque de harpa, um rio límpido em que se nota o cascalho no fundo. Foi em criança que me disseram o significado da palavra vida. Tinha a ingenuidade própria das crianças e, por extenso, sonhava. Cresci e o significado foi mergulhado, num poço sem fundo. Não tive culpa, disseram-mo em criança... e eu às vezes ainda penso na efervescência de uma gargalhada latejante.
Ainda serei ingénua? Acreditando na felicidade, no ter, no abraçar, no sentimento puro? Certamente. Ingenuidade não tem necessariamente de ser mau, conotado com pouca inteligência, antes associado com falta de esperteza pois espertos não faltam por aí... É bom ser-se astuto, atento mas pode ser-se ingénuo, ou seja, simples, natural com capacidade de sonhar.