Quero gritar vivamente até a garganta doer,
de felicidade, de paixão, de prazer, de massagens na alma!
Quero encontrar-me e encontrar-te num lugar comum,
onde imperam estrelas, oceanos, vida!
Quero dançar e rir sem parar,
quero cansar-me de luxuria, de movimentos carnais,
de movimentos de amor, de estar a aproveitar o momento!
Quero conhecer novos mundos, novas mentalidades,
ter amizades, sem o risco de me abandonarem e saber que vão estar lá para mim!
Quero tornar-me mais tolerante e que se tornem tolerantes comigo,
sem ter de levar um «foda-se» como resposta e uma chapada sem mão.
Quero desabafar sem que me condenem a uma prisão quase perpétua.
Quero respirar e sentir o ar puro; ouvir o chilrear dos pássaros ao acordar
e um beijo teu ao mesmo tempo e se não puder ser, um telefonema onde possa sentir o teu sorriso!
Quero sufocar com carinhos mil, ternuras e desejos! Quero ser menos sensível.
Quero adormecer e ter a certeza de que fiz muita gente feliz, que estão contentes por eu existir e eu em euforia sentimental por saber que existem também...
Quero fantasia na minha vida e saber que sou desejada; quero ver as minhas covinhas faciais bem vincadas a toda a hora; quero olhar-me ao espelho e ver o brilhozinho nos olhos e saber que amanha o vou ter novamente.
Quero praia, sol, gelados, Verão! Correr, dançar, fazer ginástica, paint ball, escrever, trabalhar, agitação! Quero ser um ser vivo e não um pedaço de carne a morrer no marasmo, na monotonia!
Quero ver o pôr do sol simplesmente por acaso, sem premeditar nada, com uma garrafa de vinho verde fresca ao pé, uma fogueira já apagada e tudo o que venha devagar aos meus olhos naquele momento inesperado.
Quero sonhar, dormir pouco, dançar dança do ventre com a minha própria sensualidade sem ser semelhante a ninguém, comer o que sempre comi sem engordar uma grama, roer as unhas sem me dizerem que é feio, fazer inumeros cortes de cabelo sem me importar com o que os outros dizem.
Quero abandonar estigmas, ou melhor: amarrotá-los com força e atirá-los contra uma parede. Quero ser livre e não ter de seguir o que me pedem, ser apreciada como eu sou e não pelas comparações com uma actriz ou modelo que apareça na televisão. Quero ser idolatrada, colocada além do monte Olimpo, que me sirvam champanhe Moet et Chandon numa taça de ouro! Quero apreciar aqueles pormenores como um olhar que cede e se adoça, uma boca que se entreabe a pedir um beijo molhado, uma mão amiga quando nem preciso de dizer que a vida corre mal, um abraço quando choro porque estou triste e não porque me apetece!
Quero viver ao máximo, sem me estarem a espezinhar, caminhando devagar mas conseguindo o objectivo. Quero divertir-me numa sexta feira à noite, num sábado, num domingo, sempre! Ver filmes, estar com amigos, ouvir musica alta, abominar aquelas coisas chamadas «casa», «estabilidade»...
Quero estar apaixonada, sentir a magia no ar, sentir que não me gritam e que me voltam a telefonar quando eu me chateio, porque é o que faço... o orgulho é doença!
Quero amar perdidamente e sentir-me a mulher mais feliz do mundo!