Fitei o teu ar de menina,
cresci alimentando esta imagem tão pura,
até que ela se desfez em pó, cinza no ar.
Já me esqueci, de mim e da tua candura...
cresci alimentando esta imagem tão pura,
até que ela se desfez em pó, cinza no ar.
Já me esqueci, de mim e da tua candura...
Perguntaste-me com ar de desdém se eu tinha alguém,
a minha figura encolheu-se do desprezo do teu olhar.
Segui-te, nesse teu passo desacertado,
só com o desejo de um breve gracejo teu,
sem esperanças e sem medos.
Fiquei feliz só por te ver sorrir,
sem desprezo no olhar.
Disse-te que sim - tenho alguém.
O balanço do teu corpo desequilibrou-se,
ficaste tão solta e frágil...
Corpo de mar, cheio de ondas,
cheio de luz, cheio de vida!
Tudo em ti brilha, só eu é que não.
Força pujante da natureza,
esta minha incontornável paixão.
Dá-me licença que te não recorde,
que os anos são muitos e dói-me respirar,
sentir, pensar, agir.
Já me lembrei e, lentamente, sofri.
Não quero e não posso lembrar-me de ti.


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