quinta-feira, abril 19, 2007

Breves sobre futebol

Começa o campeonato, desenrolam-se comentários de rivalismo saudável entre os amigos, esboçam-se expectativas quanto aos clubes. De súbito, os três grandes (F.C. Porto, Sporting C.P. e Benfica) invadem mesas de café, restaurantes, transportes públicos, ambientes de trabalho, sendo a conversa sempre a mesma, sem pingo de racionalidade pois a «clubite» é uma doença que afecta as mentes. «O Glorioso este ano vai limpar tudo» ouve-se em jeito de sketch televisivo de comediantes do Gato Fedorento do tipo «15 a zero pr'ó Benfica». Vamos lá falar de futebol, mas agora a sério.
É importante falarmos de todos os clubes que integram a liga, porque sem eles o nosso clube, seja ele qual for, não faria sentido. É fundamental admitir a superioridade dos adversários, nas diversas partidas quando eles assim o são: superiores. Urge haver uma clareza total e imparcial no diálogo futebolístico, no sentido de, para além da nossa «clubite», haverem palavras saudáveis, abertas e sobretudo, humildes.

O Sporting começou bem a pré-época, o campeonato um pouco menos folgado mas com o mesmo fio de jogo. Apostou, muito bem, em Miguel Veloso; arriscou Romagnoli que deu resultados no início, irregularidades a meio mas regressou a uma boa fase; atreveu-se a um Bueno do qual mal se ouve falar mas que, de repente, salta, mostra a garra e marca golos de rajada. Os jovens Nani, Moutinho (este último muito temido e, consequentemente, muito «atacado») sempre em forma. Maré de empates e as palavras sarcásticas voltam à cena, por parte das massas opostas. Palram «vamos ser campeões» e «o nosso treinador é o maior».

Eis que o plano de Vieira não dá os frutos esperados e quem realmente leva por tabela é o treinador Fernando Santos. É que, de facto, uma equipa não pode girar em torno de Simão, «O Inegociável», embora seja de facto imprescíndivel e um jogador que parece não perder o fôlego. Brilhante, assim como Nélson que me fez lembrar um pouco Miguel, outro defesa que não me canso de elogiar. Como não podia deixar de ser, o maestro, que é dizer Rui Costa, fez as delícias de quem aprecia bom futebol. Bons jogos. Agora? Nada a dizer, porque falaram demais no início. Quem semeia ventos...

O F.C.P realmente não me trouxe surpresas e penso, sinceramente, que vai ganhar o campeonato. Quaresma é bom mas não imbatível; Lucho inspirado; Postiga, rebelde; Anderson e Pepe são outros dois jogadores que gosto de ver jogar. Bom futebol, regular, coeso. Veremos como se portarão no Bessa e a receber o Belenenses.

P.S: «Quem quiser vir à guerra monta-se nas minhas costas» Paulo Bento