quarta-feira, março 14, 2007

Pânico

Dói-me o peito por dar aconchego,
estou cansada do verbo pensar
latejante, por cada movimento que faça.
Dói-me a voz de ser doce,
melosa a chamar o amor...

Queria não pensar por um momento,
entregar-me à carne, à brincadeira.
Deixaram-me antes por tormento,
o sentir, o ser flor de cerejeira.

Podia seguir à deriva sem nada em mim
para dar, para fazer sonhar, acreditar.
Os que seguem assim,
acabam por melhor amar.

Mas sinto! Mas tenho! Mas vejo!
Mas não me sentem, não me querem, não me vêm!


Doem-me os olhos ao despertar
de te não ver...
Estou cansada das lágrimas do meu pesar,
e conseguir, para dentro, reter.
Dói-me a voz de ser sensual,
luxuriosa... a chamar-te