terça-feira, março 27, 2007

Grande Português?

O grande português de todos os tempos, na opinião dos portugueses foi António de Oliveira Salazar. Compreendo. A minha compreensão advém do facto de saber que esta votação escalda como um protesto, é um grito de insatisfação face ao sistema vigente, face ao esquecimento das promessas feitas pelos protagonistas da Revolução de 25 de Abril de 1974. Reparo então que o segundo classificado é Álvaro Cunhal e aqui o meu raciocínio leva-me a pensar que o povo português tem uma espécie de doença mental... votando em segundo lugar no salvador da pátria? oh meus amigos!

Vejamos que, no rescaldo da primeira Grande Guerra, tinham-se modificado ideias políticas, estruturas económicas, relações de classe. A democracia, na época, era vista como decadente e o parlamentarismo como um sistema em crise. As forças políticas da República estavam divididas em correntes partidárias inimigas que a única coisa que queriam era o poder, já para não falar dos «revolucionários civis» (forças armadas) trazendo a barafunda à cena política. O que era necessário? Uma regeneração. Como consegui-lo? Com a suspensão da constituição implementada.
Salazar, pelas qualidades de preserverança, capacidade de liderança, firmeza, foi escolhido para Ministro das Finanças e pouco tempo depois como primeiro ministro. Mas todos os humanos têm defeitos.... Os dele, gravíssimos por sinal, iriam por uma austeridade moral (exacerbada): a obediência absoluta por parte de quem desconhece (analfabetismo explícito); a perseguição feita pela P.I.D.E - instituição do Estado - a todos os que tivessem opinião diferente, crença diferente; a morte de tantos no Tarrafal... o rol continua. Velho e cansado, afasta-se da cena política em 1968.

Alguns anos depois, o 25 de Abril trouxe-nos aquilo que nunca tiveramos até aquela data: democracia. A meu ver, a conquista do direito de voto foi das maiores benesses que a revolução nos trouxe. Imitando Winston Churchill, a democracia não é o sistema político perfeito mas é o melhor que temos. Álvaro Cunhal lutou pelo partido comunista, mas não pela democracia. O que iria passar seria a instauração de uma ditadura comunista em vez de uma fascista e, é aqui que escorre a opinião dos portugueses no célebre programa da RTP: maioritariamente, o Norte do país, conservador apostou em Salazar como grande português; o Sul, latifundiário nos tempos de ditadura fascista, apostou em Álvaro Cunhal.
O povo português tem memória curta e está sempre descontente mas a ditadura não se consegue sempre manter de pé... não se esqueçam disso.

sexta-feira, março 23, 2007

Ele vem com o meu presente,
o meu alimento do corpo - que eu não quero saber da mente.
estende-me num lençol, sem timidez,
enquanto me desembaraço da minha pacatez.

velas, perfume no ar, corpos, calor que queima,
sinto-me ser percorrida por uma mão que não teima,
e leva-me ao sussurro, ao dar a ordem de... mais.
Não me envolvo, ele lê-me apenas os sinais.

Ordeno. Obedece sem luta.
Eficaz, directa, resoluta,
enquanto ele fraqueja na sua limitação
observo satisfeita, mas sem paixão


p.s: afinal até me consigo abstraír... :)

quinta-feira, março 22, 2007

Estava a ver que não....

Eu às vezes até dizia isto mas ninguém acreditava em mim: é preciso emoção para haver razão... Digamos que não pretendo, de forma alguma praticar futurologia nem tão pouco tirar os louros ao Sr. António Damásio. O que pretendo com a minha frase inicial é tão somente dizer «até que enfim!», visto que António Damásio, Marc Hauser e seus colegas, quiseram saber se perante dilemas morais, as pessoas demonstravam sentimentos, somente por serem consequentes da horribilidade do que se lhes deparava à frente ou se, pelo contrário, a frente emocional as capacitava da escolha mais útil, racional e justa.
Defronte a esta problemática, António Damásio chegou à conclusão de que precisamos das nossas emoções para pensar, ou seja, a razão humana precisa de emoções. Um passo em frente na explicação de que a moral, as decisões, os juízos necessitam do lado emocional. Outro facto curioso decorrente deste estudo é que as pessoas que não hesitam em responder afirmativamente perante um dilema como matar um familiar para o bem colectivo, apresentam lesões numa região do cérebro específica das emoções.

Lazer

preciso de:

  • ir ao cinema
  • passear ao ar livre
  • escapadinha de fim de semana para o interior do país
  • ler mais (sem ser livros técnicos, metodológicos)
para breve:

  • exposição Cartier na FCG
  • exposição de Art Déco da colecção Berardo no Museu de Arte Moderna de Sintra
  • filmes «Diamante de Sangue» e «Diário de um Escândalo»
a longo prazo:

  • viagem a Londres
  • viagem a Bucareste
  • visitar Marvão
  • Uma escapada ao Gerês
I need this!!!

segunda-feira, março 19, 2007

O dia do pai

Hoje dia 19 de Março comemora-se o dia do pai, em memória aos tantos paizinhos por este mundo fora: os que sabem que o são; os que o são realmente, com todas as características que enchem o conceito de ser pai; os que pensam que o são; e aqueles que não sabem que o são. Na verdade, puramente realistico será dizer que este dia só se destina aos que são verdadeiros pais, ou seja, aqueles que sabem que ser pai não é apenas o contributo da carga genética cedida por uma célulazita. A verdade é que há dias para tudo: pai, mãe, cão gato, periquito... Mas a mãe pelo menos sabe de certeza que o é.... Faz, assim, algum sentido.

Porque uma imagem vale mais que mil palavras....

Seria mais fácil o momento
em que nada se dissesse
e, por um lado, se mantivesse
o absurdo e o ridículo no pensamento
Sensível, sem sentido abstracto da matéria definida da vida

quarta-feira, março 14, 2007

Pânico

Dói-me o peito por dar aconchego,
estou cansada do verbo pensar
latejante, por cada movimento que faça.
Dói-me a voz de ser doce,
melosa a chamar o amor...

Queria não pensar por um momento,
entregar-me à carne, à brincadeira.
Deixaram-me antes por tormento,
o sentir, o ser flor de cerejeira.

Podia seguir à deriva sem nada em mim
para dar, para fazer sonhar, acreditar.
Os que seguem assim,
acabam por melhor amar.

Mas sinto! Mas tenho! Mas vejo!
Mas não me sentem, não me querem, não me vêm!


Doem-me os olhos ao despertar
de te não ver...
Estou cansada das lágrimas do meu pesar,
e conseguir, para dentro, reter.
Dói-me a voz de ser sensual,
luxuriosa... a chamar-te


segunda-feira, março 12, 2007

Pesadelo

Imagens na cabeça, uma incontrolável forma de estar, um medo a apoderar-se e reparas, não sabes muito bem o que é! As pessoas inseguras são desrespeitadas hoje em dia ou então tratadas como se fossem crianças e é aí que surgem colos, miminhos e essas coisas. Os inseguros não precisam disso nem tão pouco da pena de ninguém.

É relativamente fácil falar de um inseguro apontando características que não lhe são próprias, rindo daquilo que um inseguro diz, em jeito de gozo. Um inseguro não precisa que lhe gozem as palavras, muito menos de que lhe digam que «não têm paciência». Porque os inseguros são seres sensíveis e são somente inseguros quanto a si próprios, numa medida directa. O inseguro que não sabe o que tem, não vê o que consegue, não quer dizer que não sinta o que o rodeia.

Acordar de um pesadelo, daqueles em que toda a gente se ri e todos os outros são melhores, e começar o dia tristemente inseguro....
Existe sempre um motivo para a insegurança e rir, neste caso, não é o melhor remédio.

(acordei hoje assim, de um pesadelo)

quinta-feira, março 08, 2007

8 de Março

Há algum tempo atrás, nomeadamente 8 de Março de 1857, foi desenrolada uma greve por um grupo de mulheres em Nova Iorque. As causas dessa mesma greve prendiam-se, essencialmente, com a carga horária que cumpriam e por receberem menos de um terço (em muitos casos) do salário, em relação aos homens. Morreram cerca de 130 mulheres carbonizadas, num acto desumano, por parte do patronato, de pegar fogo à fábrica.
Já no séc. XX, foi decretado na Dinamarca que o dia 8 de Março seria o dia internacional da mulher, em jeito de elogio fúnebre aquelas que encararam a morte ao defenderem os seus direitos.
Em termos específicos, concordo com a celebração deste dia pois mais ninguém conseguiu um feito assim, com coragem de enfrentar o que não está bem. Em termos gerais, verifico um pouco de descriminação, isto é: ao estarmos a decretar um dia da mulher, estamos a dizer que todos os outros não o são. E isto, não é igualdade... Mas eis que nos deparamos com a realidade e ela mostra-nos que através da história, a mulher tem sido (e ainda é) penalizada: em termos salariais, em termos de cargos hierárquicos superiores - isto no campo laboral, sem contar com o assédio sexual ( recai a grande percentagem para a mulher). A mulher foi sempre tida em condição inferior, pelos motivos mais bizarros, pela religião e pela insanidade mental de muitos...
Por isso, de pleno acordo com o dia 8 de Março! Vivam as mulheres, viva eu! (não resisti)

quarta-feira, março 07, 2007

Passo pela escola secundária que me deteve durante 6 anos e faço contas de cabeça para me lembrar há quanto tempo saí de lá e como as coisas mudaram. O que vejo agora são miúdos com pinta de mc's, com um andar inconcreto, olhos postos no chão, pala do boné de lado; miúdas vestidas todas de igual, com botas felpudas, com boleros e blusas às riscas, ganchos postos de lado para enfeitar o cabelo; professores a serem avaliados por alunos e por pais, a lidarem com pressupostos de bom português, a serem muitas vezes agredidos por alunos e outras tantas por pais porque se ouve dizer «o meu menino é de ouro».
No tempo em que eu andava na escola secundária, haviam miudos a esconderem-se para fumar atrás dos blocos, a terem problemas de aprendizagem, a faltarem às aulas mas nunca assisti a faltas de respeito, a ameaças ou a discussões. Havia uma hierarquia, como existe em todas as organizações do Estado e, essa, era respeitada. Actividades extra-curriculares, apoios psicológicos, atendimento por parte dos professores, associações de pais, que quererão mais de uma escola? Recordarão por certo que a educação dá-se em casa, pelo que o primeiro agente de socialização e, consequentemente, educativo é a família, directamente o pai e/ou mãe, em casos específicos o familiar responsável. A escola é o veículo para aquisição de conhecimentos básicos, a aposta num desenvolvimento intelectual, a preparação de jovens de hoje nos adultos de amanhã. Existem áreas que podem melhorar, no ensino secundário, como por exemplo os cursos tecnológicos das diversas áreas e as disciplinas que são leccionadas.
Recordei com nostalgia o tempo em que andava na escola secundária, os amigos que lá fiz incluíndo professores.

terça-feira, março 06, 2007

Impulso

Apetece-me ir ao cinema, ver um bom filme, comer pipocas, encostar-me confortavelmente naquelas cadeiras fantásticas, como me apetecer sem levar com o estigma «que feio, uma mulher assim sentada». Digo em alto e bom som, sem pudores: que se lixem os estigmas, metam os dedinhos que me apontam numa parte do vosso corpo. Esqueçam-se de mim.
Recomposta desta primeira parte algo grosseira, antes de ir para o cinema vou à net e vejo que filmes existem, por salas. A desilusão apodera-se de mim e só vejo filmes tão comerciais que me dão asco, azia, contracções involuntárias na barriga. Mas eu quero ir ao cinema! Valha-me o DVD e as pipocas do Lidl

Pseudo-poetas

Gosto de hip-hop e de algum rap. Animam-me os «beats», abomino a temática que se enraízou no hip hop, compreendo a multidão que se atira para os concertos dos artistas com «ices» por todo o lado. Remontando à génese do hip-hop, verifica-se que existe uma temática associada, a exclusão social, sociologicamente falando, ou seja, o hip-hop foi criado por grupos à margem da sociedade que se deparavam com os mais graves problemas como o tráfico de drogas, a violência, e no sentido lato, a falta de infraestruturas, a falha na educação. Em suma: nasceram guetos, onde predominava a existência de gangs. As ruas eram autênticos circos de feras, pela canalização da violência submersa em ritmos de break dance, proposta feita por Afrika Bambaataa, considerado padrinho da cultura hip-hop nos dias de hoje. Da sua criação, no final dos anos 60 até hoje, o hip hop é tido como catalizador, pacificador de conflitos.
A partir dos anos 90, de forma mais intensa, começaram a surgir as letras com teor fortemente sexual e de um machismo extremo. Alguns combates travam-se desde a entrada de M. Elliot, a canção de Christina Aguilera «can't hold us down», a criatividade de Eve, entre outras. A realidade é que as meninas de hoje em dia esquecem-se destas senhoras e congratulam-se por ouvirem as letras dedicadas.... a elas?
Nos dias de hoje, cantores como Justin Timberlake canta temas como amor, traição; Busta Rhymes admite amar «a sua dama» e que não a deixaria por nada do mundo; Akon já descambou mas parece que o rapaz queria mesmo dar todo o seu amor com a música «i wanna love you». Eis alguns exemplos da mudança no mundo do hip-hop. Mas a temática original ainda persiste, é um facto.
De todos os cantores atrás mencionados, não ouvi nem li nada que dissesse respeito a poesia, verifiquei antes letras de música, rimas pobres, com esquemas aa bb cc. Mas nós temos um português na cena do hip-hop que se diz poeta, que afirma escrever, então, poesia urbana. O que é verdade é que verifiquei as letras e elas não passam disso: letras de músicas. Não se encontram nas balizas da poesia, portanto. Para além disso, indago-me sobre o gosto de cantar em português..... normalmente todos têm nomes «americanizados», com traduções originais e que ficam bem na língua de Camões.... Influências do tio Sam.