quinta-feira, dezembro 21, 2006

Pensava ela que eu não a amava...
mas cá dentro ainda está tanto para lhe dizer.
Palavras que agora serão ditas por outro,
cheias de eufemismos, hipérboles.
As minhas: sinceras, puras,
tanto quanto isto que me corrói;
por não lhe ver a face esguia;
por não sentir gotículas do seu aroma,
pairando no ar, chegando a mim,
inconfundivelmente doce!
E queria eu tê-la de volta e dizer-lhe:
que um homem também chora,
que não existe a razão nestas coisas do amor,
que perdi anos da minha vida sendo aquilo que não sou!

[fumo um cigarro, para ver se a dor desvanece]

dói-me a alma, está suja, degradada....
lembras-te das tardes na minha casa?
Nunca fazia o chocolate como querias....
nunca fiz nada como tu merecias.
Agora deixo-me estar: febril, desleixado,
à espera que alguma bacteria, virus se lembre de mim.
Qualquer dia estoiro!
Saber que não te mostrava o que significam os nossos momentos,
sem nada te dizer, com silêncios e.... a tua fome de viver!
O teu olhar faminto, cheio de esperanças, de fogo, de terra,
para sempre perdido do meu, sem expressão, tão morto, ausente....
Abraçar-te-ia por um segundo apenas,
sentir o teu aroma e o teu coração a bater junto a mim...
dizer-te a palavra que nunca te disse... baixinho, só para saberes.