segunda-feira, dezembro 04, 2006

Desenvolvimento - I

Um dos principais indicadores de desenvolvimento num determinado país é, sem dúvida, a taxa de alfabetização. Em Portugal, é um facto que a taxa de analfabetização tem decrescido, sendo que em 1970 havia uma percentagem de 25,6% contra os 9% de 2001. Mas, também é facto que a difusão da escolaridade básica tem sido lenta, muito devida à política ditatorial que tivemos em grande parte do séc. XX (4 décadas!). Com a vinda da tão esperada democracia, alargaram-se os níveis de escolaridade obrigatória (para breve o alargamento para os 12 anos), apostou-se na formação dos professores, reformas educativas, melhorias nas infraestruturas para receber as massas. A questão incide no seguinte: as mudanças efectuadas não estão concordantes com a eficácia do sistema de ensino português. Houve um atropelamento completo, apostando-se muito e depressa.
No séc XX, verificaram-se transformações nos sistemas de emprego. Em portugal, essas transformações também se verificaram mas, se formos ver que 4 décadas foram vividas sob a alçada ditatorial, veremos que o emprego seria apenas para o universo masculino e a escolarização oportuna somente para alguns, isto falando no ensino médio e superior. A partir da década de 60-70, comparativamente aos países mediterrânicos de semelhante bagagem cultural, os níveis de emprego subiram muito devido ao aumento da mão-de-obra feminina e à mobilização de militares. Assim sendo, o desenvolvimento deste país deve-se em muito à emancipação da mulher: a sua cada vez maior adesão ao ensino e ao mercado de trabalho. Ainda que hajam cinismos de muitas partes, uma cultura do macho-latino-dominante, verifica-se que, de acordo com o último estudo da OCDE de 2001, a taxa de emprego feminino é de 61%. Isto para dizer que, quando seguimos uma cultura enraízada em estigmas, estereótipos, repressões, o desenvolvimento dá-se lenta e parcialmente, facto que não traz benefícios gerais.