Da modernidade
Dizem que ser moderno é ter produtos advindos da alta tecnologia, assim como vestir roupas das marcas mais in vogue. Ao ver passar certas pessoas vejo-lhes a modernidade espelhada, na base nº 3 da Lancôme, no perfume másculo de Hugo Boss. Embora estes sejam apenas adereços da modernidade.... A modernidade vem de dentro, parte do pensamento: dar conceitos aos objectos, pensar no outro como elemento integrante no sistema. Acerca deste ultimo ponto, uma pérola, esta da qual me lembrei: a fazer as 4 horas do meu part-time num callcenter, cerca das 20h contacta-me um senhor, de voz roufenha mas muito insigne, dizendo que estava muito insatisfeito com o serviço. Perguntei-lhe o motivo da insatisfação e é aí que ele me relata um único episódio em que não lhe foi resolvido o problema, técnico por sinal. Chegada uma determinada altura da nossa conversa, rondando sempre este assunto, confronto-o: «vejo aqui no seu histórico de cliente que não tem qualquer reclamação e que tem beneficiado de ofertas por parte da nossa empresa. Foi, ao que vejo, a unica situação que reclamou, certo?» Resposta: silencio, seguido de uma tossezinha tímida e um «pois...»
Este relato serve para mostrar que a generalidade das pessoas generaliza. Parte do comum, do particular para fazer disso a regra.


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