sexta-feira, dezembro 15, 2006

... ainda da modernidade

Como tinha escrito anteriormente, pensar modernamente, significa pensarmos no outro como ser integrante no sistema. Mais do que integrante, deve ser fundamental verificá-lo (o sujeito) nos vários papéis que desenrola na sociedade ou na comunidade.
Alastro o tema para as relações afectivas e, como não podia deixar de ser, colocar o enfoque na histórica rivalidade (que não chega a ser, escrevendo já de seguida o porquê) entre homens e mulheres. Na mentalidade do homem diacrónico, antropologicamente falando, não há a concepção da mulher como rival porque a mulher não intervém no seu mundo de sempre, o universo global onde se encontram todas as possibilidades. Á mulher é-lhe confinado um espaço diminuto que insurge numa simbólica densa, como é a de Pierre Bourdieu. A casa é o espaço fechado, caracteristica que se deve estender à personalidade padrão da mulher: fechada = tímida, que permanece calada, que faz o que o marido ou senhor lhe pede.
Hoje em dia, embora muito cinicamente, mudaram-se os papéis da mulher: a mulher é participante no mundo global e a casa já não é tanto dela, o homem está participante nas tarefas domésticas. Existe um maior equilibrio ao nivel intimo, familiar. Aqui não haverá rivalidades, no seu sentido lato.
Cada vez mais as mulheres estão à procura de homens, enquanto objectos sexuais, sem qualquer tipo de pretensão em afectos, carinho, paixão. Apenas sexo. E esta mudança tem assustado alguns homens, outros até parodiam (recorrendo à sinceridade) e dizem: «oh estou a ser objecto sexual, socorro...». Salvadores da masculinidade.
A grande questão é que este tipo de atitudes leva ao seguinte tema: egocentrismo. Existe a concepção do outro apenas como afectante, positiva ou negativamente, consoante a situação, entenda-se. Não existe a prevalência de vermos o outro como um todo mas sim como uma parte, que neste caso, convém afectar positivamente.